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O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, senador João Souza (PMDB/MA), já desqualificou os depoimentos dos empresários apontados como chefes do esquema de fraude na compra de ambulâncias. Com isso, disse que os depoimentos não podem ser considerados como prova da participação de parlamentares no esquema. Ou seja, já avisou indiretamente que pelos menos os três senadores Ney Suassuna (PMDB/PB), Magno Malta (PL/ES) e Serys Marly (PT/MT) serão absolvidos pelo Conselho de Ética.
Comportamento deprimente. Ele poderia pelo menos ter esperado a análise das defesas e o pronunciamento dos relatores de cada processo, que ainda nem foram nomeados. O senador deixou clara sua intenção de influenciar em benefício dos acusados. Não estou dizendo que os três sejam culpados, nem poderia, mas que há indícios, há. No mínimo então o presidente do Conselho de Ética deveria aguardar a verificação de tudo, antes de manifestar sua “tendência”. Quer dizer, vem mais pizza por aí.

O ex-presidente regional do PT, Alexandre César, conseguiu na Justiça uma espécie de liminar preventiva para proibir o jornal A Gazeta de citar seu nome, de qualquer forma. A desobediência gera uma multa para cada vez que o nome for citado. Vale lembrar que César foi candidato a prefeito de Cuiabá em 2004 e deixou uma dívida não contabilizada de campanha de mais de R$ 3 milhões. Além disso, foi indiciado pela Polícia Federal por falsidade documental, que pode ser também interpretada como caixa 2, já que a dívida não foi declarada à Justiça Eleitoral. O inquérito da PF está nas mãos do Ministério Público Federal, que vai decidir se oferece ou não denúncia contra o petista. Isto certamente está próximo de acontecer, já que Alexandre César resolveu se precaver para censurar a imprensa.
Se é que alguém não sabe, o petista é candidato a deputado estadual nestas eleições. Então, está querendo evitar que os eleitores saibam o que ele fez na direção do PT. O partido não tem recursos para pagar a dívida deixada e nem sabe quando terá. Enquanto isso, César também enfrenta cobranças judiciais.
Como procurador do Estado, alguém formado em Direito, Alexandre César deveria ser o primeiro a defender a legalidade, a liberdade e o direito que todo cidadão tem de conhecer os candidatos em quem poderá votar.
E é de se questionar também essa Justiça que impede a “justiça”. Por que conceder uma liminar como esta a alguém que é candidato? É o mesmo que conceder aqueles famosos habeas corpus preventivos para que suspeitos permaneçam em silêncio nos interrogatórios para não se comprometerem. Parece piada. De mau gosto. Infelizmente é verdade.
