Comentando

Ainda não sei bem o objetivo desse blog, mas ao longo do tempo vou descobrindo. Só não esperem encontrar aqui apenas assuntos da política. Apesar de ser repórter da área, não pretendo me ater apenas a esse tema.

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Ainda não sei bem o objetivo desse blog, mas ao longo do tempo vou descobrindo. Só não esperem encontrar aqui apenas assuntos da política. Apesar de ser repórter da área, não pretendo me ater apenas a esse tema.
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Terra Blog

27.07.06

Repúdio

A jornalista Andréia Fontes, do jornal A Gazeta, foi agredida verbalmente ontem por um advogado chamado Alexandre Slhessarenko. Isso mesmo, é o filho da senadora Serys Marly Slhessarenko, do PT. Descontrolado, ele tomou as dores da mãe, que agora foi incluída na lista dos parlamentares a serem investigados pela CPMI dos Sanguessugas. Ele tomar as dores da mãe até que seria normal, não fosse o fato de ele ter feito isso com a pessoa errada e no local errado. Ele se descontrolou em plena entrevista coletiva concedida pela senadora, no escritório particular dela, em Cuiabá. Uma situação no mínimo desagradável para todos, principalmente para a jornalista, que estava apenas trabalhando.
Se o “doutor” Alexandre quer defender sua mãe e tem provas da inocência dela deve fazer isso no foro adequado. E como ele é advogado ninguém precisa ensinar a ele que isso tem que ser feito na Justiça e junto ao Congresso Nacional. Agredir uma jornalista que está apenas cumprindo seu papel ao ir a uma entrevista coletiva simplesmente porque acha que o meio de comunicação onde ela trabalha “persegue” a senadora é absurdo.
Serys foi manchete não só na Gazeta, mas em todos os jornais locais e ainda foi notícia em veículos de circulação nacional. Também não poderia ser diferente. Ela é uma senadora da República e o país inteiro acompanha o caso dos Sanguessugas, uma das maiores vergonhas no Congresso Nacional nos último tempos. Aliás, o atual Congresso tem se tornado especialista nisso.
O senhor Alexandre Slhessarenko tem que pensar que sua mãe, além de ser detentora de um mandato para o qual foi eleita pelo voto popular, ainda é candidata ao governo do Estado. Deve satisfação à população sim. E respeito, principalmente. Agredir jornalistas não vai tirar as suspeitas que recaem sobre a senadora.
É uma situação humilhante e acontece com muito mais freqüência do que se imagina, mas nem por isso temos que suportar calados. Nós, jornalistas, somos amados e odiados. Mas o tratamento que recebemos da classe política é aviltante. Não posso generalizar, mas parte dos políticos age da mesma forma. Quando querem “aparecer”, divulgar seus feitos, nos tratam a pão-de-ló. Mas quando a situação é desfavorável a eles, somos urubus, a escória da humanidade. Por que eles acham que só temos que falar bem deles? Eles, como qualquer outro cidadão, têm que prestar contas dos erros que cometeram.
Claro que ninguém pode ser condenado previamente, mas também não podem se furtar de esclarecer os fatos. Os jornalistas não são donos da verdade, mas os políticos também não são. E pelo que me consta, não foram jornalistas que incluíram o nome da senadora Serys na lista dos suspeitos de participarem do esquema da máfia das ambulâncias. O nome dela surgiu no depoimento de um dos chefões do esquema, Luiz Antonio Vedoim Trevisan. Sendo assim, que a fúria do senhor Alexandre deve se volta contra o empresário e não contra a jornalista que fez matérias baseadas em informações passadas pelos membros da CPMI. E mesmo assim, se tiver algum questionamento em relação ao conteúdo das matérias publicadas que recorra à Justiça. Processe o jornal ou peça direito de resposta. A Justiça está aí para isso.
Votei na senadora Serys em 2002 e ficaria sinceramente contente de saber que ela não está envolvida nessa lama. Aliás, isso seria notícia em qualquer jornal. Mas agredir jornalistas não! Isso é inaceitável.


  • criado por  valeria.cba criado por valeria.cba
  • Postado em 00:50:00
4 comentários
  • Em 10.12.06, às 12:52:16,
  • Alexandre Slhessarenko disse :
(continuação)...Andréia disse mais...disse que se houvesse críticas à Casseta, deveria ter sido feita em ambiente reservado, "em quatro paredes"...perguntei qual o critério que a Casseta adotada para receber suas críticas somente entre quatro paredes...isso foi o suficiente para a referida profissional ter um faniquito...enfim.
Bem, todo mundo sabe o estilo de jornalismo que a Casseta faz...não é novidade pra ninguém...também sei que muitos dos seus profissionais não compactuam com a linha editorial, mas enfim, defendem (e estão certos nisso!) seu emprego.
Vai Andréia...sem vitimizações...não tire da proporção...não acredito que a solinha do pé estivesse tão sensível assim...
Abraços,
Alexandre Slhessarenko
São Paulo-SP
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  • Em 10.12.06, às 12:51:28,
  • Alexandre Slhessarenko disse :
Prezada Valéria...só vi hoje a noticia no seu blog e se me permite o comentário...
É curioso que, em instante algum, se digrediu (na matéria) sobre o quê (conteúdo), realmente aconteceu, enfim...talvez porque isso não interessa ou se esclarecido, fique claro - para desalento de alguns - que o circo não foi todo esse, e aí quem sabe, perca a graça ou a "vitimização" não se mostre tão portentosa assim...
Vamos lá...já se passou tanto tempo, mas as testemunhas estavam lá para confirmar: pedi para organizar uma lista de inscrições, a fim de manter a ordem nas perguntas...a sala estava lotada...de repente, a bolsa da minha mãe, que ficou para trás, começou a ser passada, de mão em mão até a mesa, quando, alcançada pela distinta jornalista da Casseta, veio o comentário "Senadora, a bolsa tá pesada...será que tem dinheiro sanguessuga aqui?"...foi isso que a profissional Andréia disse. Aí começou a entrevista, com ela (Serys) agracedenco a cobertura séria de grande parte da imprensa local, à exceção do Grupo Gazeta...deixou claro que a crítica era destinada ao Grupo Casseta e não aos seus profissionais. Querendo maximizar (e ganhar os créditos como vítima), Andréia se sentiu ofendida, dizendo que isso era "falta de ética"...perguntei se realmente a Casseta queria discutir "ética" (para os navegantes de primeira viagem, havia o precedente do caso Sivaldo, lembram?..Se não, consultem www.tj.mt.gov.br, 6a Vara Cível, proc.371/2001). ...(cintinua)
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  • Em 27.07.06, às 11:51:13,
  • Andréia Fontes disse :
É Valéria, a situação ficou constragedora. Infelizmente, apenas um companheiro de profissão se posicionou contra os ataques. Deixo público meu agradecimento ao jornalista Rodrigo Vargas. Época de campanha é sempre assim. Políticos dizem ser alvo de denúncias "eleitoreiras" e atacam jornalista por causa das denúncias que pesam contra eles. De ontem só posso dizer que a senadora Serys perdeu o meu voto, pelo desequilíbrio do filho dela. Estou acompanhando o caso Sanguessuga desde o início. A investigação contra a senadora está sendo feita pela CPMI das Sanguessugas, do Congresso. O nome dela está na lista de investigados e, enquanto jornalista, por ter votado nela e ter sido eleitora dela, não poderia deixar de divulgar a notícia. A população tem o direito de saber o que está acontecendo. Somos o caminho para isso. Infelizmente, nossa profissão desagrada a muitos. Mas assim como o trabalho da CPMI é de extrema importância, tenho convicção que o nosso também. De nada adiantariam as investigações se as notícias não pudessem ser divulgadas. A lei da mordaça já acabou e não podemos voltar à época da ditadura.
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  • Em 27.07.06, às 10:45:11,
  • Alex Fama disse :
É simplesmente revoltante ver uma atitude dessas em plena época de "liberdade de expressão"! É mais revoltante quando uma pessoa extremamente capacitada, um advogado, faz um tipo de "palhaçada" dessas! Cadê o nosso querido e amável sindicato dos jornalistas que não faz alguma coisa a respeito! Esse tipo de atitude está ficando constante, daqui a pouco não poderemos mais trabalhar sem ser ofendidos, humilhados!
Pena exemplar para esses tipos de pessoas!
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