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A jornalista Andréia Fontes, do jornal A Gazeta, foi agredida verbalmente ontem por um advogado chamado Alexandre Slhessarenko. Isso mesmo, é o filho da senadora Serys Marly Slhessarenko, do PT. Descontrolado, ele tomou as dores da mãe, que agora foi incluída na lista dos parlamentares a serem investigados pela CPMI dos Sanguessugas. Ele tomar as dores da mãe até que seria normal, não fosse o fato de ele ter feito isso com a pessoa errada e no local errado. Ele se descontrolou em plena entrevista coletiva concedida pela senadora, no escritório particular dela, em Cuiabá. Uma situação no mínimo desagradável para todos, principalmente para a jornalista, que estava apenas trabalhando.
Se o “doutor” Alexandre quer defender sua mãe e tem provas da inocência dela deve fazer isso no foro adequado. E como ele é advogado ninguém precisa ensinar a ele que isso tem que ser feito na Justiça e junto ao Congresso Nacional. Agredir uma jornalista que está apenas cumprindo seu papel ao ir a uma entrevista coletiva simplesmente porque acha que o meio de comunicação onde ela trabalha “persegue” a senadora é absurdo.
Serys foi manchete não só na Gazeta, mas em todos os jornais locais e ainda foi notícia em veículos de circulação nacional. Também não poderia ser diferente. Ela é uma senadora da República e o país inteiro acompanha o caso dos Sanguessugas, uma das maiores vergonhas no Congresso Nacional nos último tempos. Aliás, o atual Congresso tem se tornado especialista nisso.
O senhor Alexandre Slhessarenko tem que pensar que sua mãe, além de ser detentora de um mandato para o qual foi eleita pelo voto popular, ainda é candidata ao governo do Estado. Deve satisfação à população sim. E respeito, principalmente. Agredir jornalistas não vai tirar as suspeitas que recaem sobre a senadora.
É uma situação humilhante e acontece com muito mais freqüência do que se imagina, mas nem por isso temos que suportar calados. Nós, jornalistas, somos amados e odiados. Mas o tratamento que recebemos da classe política é aviltante. Não posso generalizar, mas parte dos políticos age da mesma forma. Quando querem “aparecer”, divulgar seus feitos, nos tratam a pão-de-ló. Mas quando a situação é desfavorável a eles, somos urubus, a escória da humanidade. Por que eles acham que só temos que falar bem deles? Eles, como qualquer outro cidadão, têm que prestar contas dos erros que cometeram.
Claro que ninguém pode ser condenado previamente, mas também não podem se furtar de esclarecer os fatos. Os jornalistas não são donos da verdade, mas os políticos também não são. E pelo que me consta, não foram jornalistas que incluíram o nome da senadora Serys na lista dos suspeitos de participarem do esquema da máfia das ambulâncias. O nome dela surgiu no depoimento de um dos chefões do esquema, Luiz Antonio Vedoim Trevisan. Sendo assim, que a fúria do senhor Alexandre deve se volta contra o empresário e não contra a jornalista que fez matérias baseadas em informações passadas pelos membros da CPMI. E mesmo assim, se tiver algum questionamento em relação ao conteúdo das matérias publicadas que recorra à Justiça. Processe o jornal ou peça direito de resposta. A Justiça está aí para isso.
Votei na senadora Serys em 2002 e ficaria sinceramente contente de saber que ela não está envolvida nessa lama. Aliás, isso seria notícia em qualquer jornal. Mas agredir jornalistas não! Isso é inaceitável.
